terça-feira, abril 19, 2011

Da função social da Literatura - Simone de Beauvoir

Confuso e perdido em meio à várias abas do Mozilla Firefox abertas com livros e mais livros do Google Books, alguns artigos científicos e uma ou outra rede social, chamou-me atenção uma capa vermelha na guia “livros relacionados” enquanto lia “A Arte de Pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais” de Mirian Goldenberg. Ora pois, já que meu foco havia se perdido, larguei as demais atividades e abri o livro em outra aba.

Intitulado “Infiel: Notas de uma antropóloga”, também de autoria de Mirian Goldenberg, procurei por algum prefácio/preâmbulo/introdução que me mostrasse o teor do livro. Encontrei um trecho incrível de Simone de Beauvoir que, a meu ver descreve, com uma acurácia inimaginável, a funação social da literatura. Conhecedor de pouquíssimo conteúdo de Simone de Beauvoir, em verdade, meu arcabouço literário e biográfico sobre ela restringi-se ao texto “O Segundo Sexo”, que contém a sagaz máxima “Não se nasce mulher: torna-se”, e à sua relação matrimonial com o existencialista Jean-Paul Sartre que, segundo contam as más línguas, era extremamente liberal.


Pois bem, como já disse, achei o trecho incrível e me identifiquei bastante com ele e com a atual relação que tenho com o ato de escrever. Abaixo, transcrevo-o, tal qual me foi apresentado:

“Nos períodos difíceis de minha vida, rabiscar frases - ainda que nunca venham a ser lidas por ninguém - me traz o mesmo reconforto que a reza para quem tem fé: através da linguagem ultrapasso meu caso particular, comungo com toda a humanidade.

Toda dor dilacera; mas o que mas o que a torna intolerável é que quem a sente tem a impressão de estar separado do resto do mundo; partilhada, ela ao menos deixa de ser um exílio. Não é por deleite, por exibicionismo, por provocação que muitas vezes os escritores relatam experiências terríveis ou desoladoras: por intermédio das palavras, eles as universalizam e permitem que os leitores conheçam, em seus sofrimentos individuais, os consolos da fraternidade. Em minha opinião, essa é uma das funções essenciais da literatura, e o que a torna insubstituível: superar a solidão que é comum a todos nós e que, no entanto, faz com que nos tornemos estranhos uns aos outros.”


Simone de Beauvoir está, definitivamente, na minha lista de leituras futuras!

2 comentários:

Diana Nobre disse...

que perfeito! :O :O nunca tinha lido nada dela...o trecho "Nos períodos difíceis de minha vida, rabiscar frases - ainda que nunca venham a ser lidas por ninguém - me traz o mesmo reconforto..." me fez lembrar do filme "Beleza Roubada" do Bernardo Bertolucci, enfim...das diversas cenas da Liv Taulor escrevendo e escrevendo...em busca de uma compreensão de si...ou sei lá... putz a literatura da "Simone"(olha a intimidade) kkk é bem sensível..to interessada em ler "O Segundo Sexo”, tens? ^^

Magno Brito e Silva disse...

Tenho sim... vou procurar e postar por aqui!