terça-feira, novembro 30, 2010

Luz dos olhos

Como estou há um bom tempo com muita ideia, mas sem poder blogar de verdade, deixo hoje só um pensamento que emergiu de uma situação ocorrida nesta última segunda, 29 de novembro. Acabei, ainda sem saber o porquê, por atribuí-la a Roberto Medeiros, e talvez ela conste em alguma parte de "Polaroid".

"O coração do homem habita na luz dos olhos que refletem o seu verdadeiro medo"


Foto: Hubble / Nebulosa Helix (NGC 7293), também conhecida como "Olho de Deus".

domingo, novembro 21, 2010

Nenhum de Nós - Você Vai Lembrar de Mim

Conhecia algumas poucas músicas do Nenhum de Nós, mas, há pouco tempo atrás, acabei baixando o CD "Paz e Amor Acústico"... Pensem em algo que eu escuto há meses sem parar... fantástico! Destaque especial pra "Polaroid", "Vou deixar que você se vá" e "Você vai lembrar de mim", isso sem contar as clássicas "Camila, Camila" e "O Astronauta de Mármore"... Muito bom mesmo!

quarta-feira, novembro 10, 2010

Solução do erro "Unknown keyword in configuration file" (Ubuntu 10.10 USB Boot)

Ao tentar instalar o Ubuntu 10.10 Maverick Meerkat de um pendrive em um netbook deparei-me com um erro bastante significativo:

SYSLINUX 3.63 Debian-2008-07-15 EBIOS Copyright (c) 1994-2008 H. Peter Anvin
Unknown keyword in configuration file
boot:


A primeira reação foi pensar que ou a ISO estava com problemas ou ocorreu algum erro na hora de criar o USB inicializável, bem checando o md5sum no http://releases.ubuntu.com/maverick/MD5SUMS deu tudo certo. Passando ao segundo ponto, usei outro pendrive e aconteceu a mesma coisa. Pensadno bem, a minha primeira reação foi achar que fosse algum erro de teclado, confundi keyword com keyboard (HuhUAHUAHU!).

Googando googando, achei o tópico do LeoEvs no Fórum Ubuntu Linux PT que, de forma resumida, indicava a instalação de uma versão atualizada do syslinux (boot loader).

Foram feitos os seguintes passos:
1. Remoção completa do syslinux via Synaptic (juntamente com o usb-creator-gtk e usb-creator-common);
2. Download das versões mais recentes do do syslinux em http://mirrors.kernel.org/ubuntu/pool/main/s/syslinux/, que no caso foi a 4.02 (syslinux-common_4.02+dfsg-7ubuntu1_all.deb e syslinux_4.02+dfsg-7ubuntu1_i386.deb);
3. Reinstalação do syslinux: no terminal, 'sudo dpkg -i *.deb' na pasta onde os arquivos foram baixados (eu gosto do gnome-terminal);
4. Reinstalação do utilitário de criação de disco USB inicializável: no termial, 'sudo apt-get install usb-creator-gtk usb-creator-common';
5. Pronto, foi só refazer o USB e funcionou!


Fonte: http://ubuntuforum-br.org/index.php?topic=73505.0

terça-feira, outubro 26, 2010

Admirável Sonho Novo, Capítulo 1

Estava, aparentemente, em um futuro distante, bem distante, um mundo inundado em uns 20 centímetros de água por todos lados. O ambiente era bastante agradável, clima ameno, um horizonte limpo e claro, céu azul, sem nuvens. Como disse, tudo era cercado de água, uma água limpa (diria mesmo que poderia ser potável) de um azul cristalino por onde todos se locomoviam com naturalidade. Creio que cheguei a ouvi alguém dizer que em função do cultivo de alguns microorganismos (semelhantes ao plâncton) foi possível conter e reverter os efeitos do aquecimento global e o uso de energias renováveis erradicou a poluição como a conhecemos, a água era fundamental nesse modelo. Era, para mim, algo irreal, algo como uma "hidrotopia", um "Waterworld" do Kevin Reynolds/Costner, só que com bem menos água.

Era um mundo estranho, mas agradável de se viver, eu gostava de tudo e me sentia estranhamente mais jovem, entretanto, tinha a impressão de ser acompanhado a todo lugar que ia por duas presenças opostas: uma que me era muito estimada, apesar de não saber quem ou o quê era; outra que me aterrorizava deveras e que, constantemente, me punha em fuga.

Lembro do pânico que senti no exato momento em que essa presença perniciosa se manifestou próximo a mim, tendo atacado e devorado de forma extremamente violenta alguém com que eu conversava. Corri o mais que pude, tendo sempre essa presença no meu encalço, em verdade, ambas, uma perseguindo e a outra acompanhando. Consegui escapar por um precipício, caindo em algo semelhante a um igapó, alagado e raso, nesse ponto a presença maligna tomou a forma, era algo que, de longe (como se não pudesse transpor o precipício) lançava dardos e ogivas contra mim. A fuga se tornou mais lenta em função da região alagada, mas não menos perigosa. Alguns pontos curiosos: primeiro, nesse momento da trama, minha percepção de horizonte se "estreitou", como se o mundo que eu via antes em todas as direções fosse subitamente transformado em uma via de mão única; segundo, eu me sentia quase uma criança. Continuei fugindo.

Consegui transpor um muro bastante deteriorado no fim desse igapó, por assim dizer, e o ambiente seguinte era uma mata fechada, mais estreita ainda, de uma vegetação muito densa, úmida e abafada, apesar de estar muito molhado, sentia um calor escaldante. Aqui aconteceu algo bem estranho: a presença boa se manifestou. Em verdade, quem fugia e rejuvenescia não era eu, era o Yoshi, meu filho, eu era a presença boa que acabara de tomar forma. Já não era mais uma fuga, somente uma busca por um lugar seguro, longe daquela mata.

A mata acabou no quintal de uma casa semiacabada, a porta não estava trancada, e uma alvorada despontava no horizonte. Entramos. Estávamos em casa, seguros, cruzamos a cozinha em direção ao quarto, Herly e Manuela ainda dormiam.



Último sonho da madrugada de 25 pra 26 de outubro

segunda-feira, outubro 04, 2010

Ocomon

O Ocomon surgiu em Março de 2002 como projeto pessoal do programador Franque Custódio, tendo como características iniciais o cadastro, acompanhamento, controle e consulta de ocorrências de suporte e tendo como primeiro usuário o Centro Universitário La Salle (UNILASALLE). A apartir de então, o sistema foi assumido pelo Analista de Suporte Flávio Ribeiro que adotou a ferramenta e desde então a tem aperfeiçoado e implementado diversas características buscando atender a questões de ordem prática, operacional e gerencial de áreas de suporte técnico como Helpdesks e Service Desks. Em Maio de 2003 surgiu a primeira versão do módulo de inventário (Invmon), e a partir daí e todas as informações de atendimentos começaram as estar vinculadas ao respectivo equipamento, acrescentando grande praticidade e valor ao sistema de atendimento. Com a percepção da necessidade crescente de informações mais relacionadas com à questão de qualidade no suporte, no início de 2004 foram adicionadas características de gerenciamento de SLAs, mudando de forma sensível a maneira como o gerenciamento de chamados vinha acontecendo e obtendo crescente melhoria da qualidade final de acordo com os indicadores fixados para os serviços realizados.

Hoje é possível responder questões como:

* volume de chamados por período;
* tempo médio de resposta e solução para os chamados;
* percentual de chamados atendidos e resolvidos dentro do SLA;
* tempo dos chamados decomposto em cada status de atendimento;
* usuários mais ativos;
* principais problemas;
* reincidência de chamados por equipamento;
* estado real do parque de equipamentos;
* como e onde estão distribuídos os equipamentos;
* vencimento das garantias dos equipamentos;
além de uma série outras questões pertinentes à gerência pró-ativa do setor de suporte.

No início de 2005, os dois sistemas: Ocomon e Invmon foram finalmente 100% integrados ganhando um novo layout e permancendo com o nome único de OCOMON. Tendo então sua utilização baseada em dois módulos principais:

* Módulo de Ocorrências;
* Módulo de Inventário;

Principais funções do módulo de ocorrências:

* abertura de chamados de suporte por área de competência;
* vínculo do chamado com a etiqueta de patrimônio do equipamento;
* busca rápida de informações referentes ao equipamento (configuração, localização, histórico de chamados, garantia..) no momento da abertura do chamado;
* envio automático de e-mail para as áreas de competência;
* acompanhamento do andamento do processo de atendimento das ocorrências;
* encerramento das ocorrências;
* controle de horas válidas;
* definições de níveis de prioridades para os setores da empresa;
* gerenciamento de tempo de resposta baseado nas definições de prioridades dos setores;
* gerenciamento de tempo de solução baseado nas definições de categorias de problemas;
* controle de dependências para o andamento do chamado;
* base de conhecimento;
* consultas personalizadas;
* relatórios gerenciais;
* controle de SLAs;

Principais funções do módulo de inventário:

* cadastro detalhado das informações (configuração) de hardware do equipamento;
* cadastro de informações contábeis do equipamento (valor, centro de custo,localização, reitoria, fornecedor..);
* cadastro de modelos de configuração para carga rápida de informações de novos equipamentos;
* cadastro de documentações relacionadas aos equipamentos (manuais, termos de garantia, mídias..);
* controle de garantias dos equipamentos;
* histórico de mudanças (de localidades) dos equipamentos;
* controle de licenças de softwares;
* busca rápida das informações de chamados de suporte para o equipamento;
* busca rápida de informações dos equipamentos;
* buscas por histórico de mudanças (localização);
* consultas personalizadas;
* estatísticas técnicas e gerenciais do parque de equipamentos;
* relatórios gerenciais;

Questões técnicas:

O Ocomon foi concebido sob a visão de software opensource sob o modelo GPL de licenciamento, utilizando tecnologias e ferramentas livres para o seu desenvolvimento e manutenção.

Abaixo listo as principais questões técnicas do sistema:

* Linguagem: PHP versão: a partir da 4.3x até a 5x , HTML, CSS, Javascript;
* Banco de dados: MySQL versão: A partir da 4.1x;
* Autenticação de usuários: a autenticação de usuários pode ser feita tanto na própria base do sistema quanto através de uma base LDAP em algum ponto da rede.

Novas funcionalidades têm sido acrescentadas ao sistema ao longo do tempo e o objetivo é torná-lo cada vez mais aderente às boas práticas relacionadas tanto à operacionalização quanto à gestão de áreas de atendimento técnico.

Atenciosamente

Flávio Ribeiro

Fonte: http://ocomonphp.sourceforge.net/
Foi utilizada TCC neste texto (Técnica de Copiar e Colar)

quinta-feira, setembro 16, 2010

XI Semana de Administração - Faci

Acontecerá nos dias 29/30 de setembro e 1º de outubro, a XI Semanda Acadêmica de Administração da Faculdade Ideal com o tema "Qualidade de Vida no Trabalho", dentre as atrações do evento, temos palestras, oficinas, mesa-redonda e a ilustre presença da Prof. Drª Ana Cristina Limongi França autora de diversos livros na área de Recursos Humanos, Psicologia do Trabalho e Comportamento Organizacional, sendo, inclusive, a autora do livro "Práticas de Recursos Humanos", livro-texto das disciplinas Recursos Humanos I e II dos cursos de Administração da Faci.

Confira a Programação Completa!

quarta-feira, setembro 15, 2010

A Aprendizagem em Administração

Na aula de ontem (14/09), o professor de Tópicos Especiais em Administração I, Mário Botelho, questionou uma aluna da seguinte forma: "Você acha que o método de ensino em Administração mudou desde a época em que eu era universitário até agora?". Ela respondeu que sim e se justificou dizendo nos avanços da tecnologia, como uso de data-show, aulas em slides, etc., haviam modificado o modo de ensinar. Em resposta, o professor disse que nada mudou, o método de ensino ainda é o mesmo, o professor fala, o aluno escuta, e assim se dá o processo de ensino-aprendizagem.

De fato isso é verdade, mesmo com a utilização de diversas ferramentas, recursos tecnológicos e dinâmicas, a metodologia de ensino continua a mesma, um modelo onde os acadêmicos participam apenas passivamente do processo. Aluno e professor estão tão acostumados, ou melhor dizendo, condicionados a esse modelo que não percebem que nenhum real conhecimento advém desse modelo. É claro que, nesses moldes, a aprendizagem fica fatalmente prejudicada e desvirtuada. Peter Senge nos nos diz que aprender "não significa adquirir mais informação, mas expandir a capacidade de produzir os resultados que verdadeiramente desejamos na vida" (SENGE, Peter M. The Fifth Discipline: The Art & Practice of The Learning Organization. Doubleday: New York, 1990.).

Ora, então os acadêmicos acumulam informações, fazem alguns trabalhos e provas, recebem um conceito e estão aptos a produzir resultados em uma empresa? Pode-se chamar de, no mínimo, ingênuo ao aluno que imagine-se apto a gerenciar uma empresa ao sair da faculdade.

O mesmo professor que levantou a questão, propôs uma solução: Parcerias entre as faculdades e empresas para proporcionar uma vivência aos alunos, não deixando de lado a parte teórica, e sim complementado-a com experiências reais. Eu, particularmente, vejo pouco professores com esse perfil.

Mas é bom lembrar, que esse interesse em novos moldes deveria partir do aluno, que é o maior interessado num ensino de qualidade e que traga conhecimentos reais. O próprio aluno deve propor mudanças, dinâmicas, práticas, enfim, um mosaico de situações que possam fazer com que ele possa crescer e amuderecer como estudante e profissional ainda na academia, desse modo, ele já entra "ganhando de 1 X 0" no mercado de trabalho, por ser um profissional diferenciado, proativo e aberto à mudanças e inovações.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Os trinta e cinco Camelos

Poucas horas havia que viajávamos sem interrupção, quando nos ocorreu uma aventura digna de registro, na qual meu companheiro Beremiz, com grande talento, pôs em prática as suas habilidades de exímio algebrista.

Encontramos, perto de um antigo caravançará meio abandonado, três homens que discutiam acaloradamente ao pé de um lote de camelos. Por entre pragas e impropérios, gritavam possessos, furiosos:

— Não pode ser!

— Isto é um roubo!

— Não aceito!

O inteligente Beremiz procurou informar-se do que se tratava.

— Somos irmãos — esclareceu o mais velho — e recebemos como herança esses 35 camelos. Segundo a vontade expressa de meu pai, devo eu receber a metade, o meu irmão Hamed Namir uma terça parte, e ao Harim, o mais moço, deve tocar apenas a nona parte. Não sabemos, porém, como dividir dessa forma 35 camelos. A cada partilha proposta, segue-se a recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio! Como fazer a partilha, se a terça parte e a nona parte de 35 também não são exatas?

— É muito simples — atalhou o "homem que calculava". — Encarregar-me-ei de fazer com justiça essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal, que em boa hora aqui nos trouxe:

Neste ponto, procurei intervir na questão:

— Não posso consentir em semelhante loucura! Como poderíamos concluir a viagem, se ficássemos sem o nosso camelo?

— Não te preocupes com o resultado, ó "bagdali"! — replicou-me, em voz baixa, Beremiz. — Sei muito bem o que estou fazendo. Cede-me o teu camelo e verás, no fim, a que conclusão quero chegar.

Tal foi o tom de segurança com que ele falou, que não tive dúvida em entregar-lhe o meu belo jamal, que imediatamente foi reunido aos 35 ali presentes, para serem repartidos pelos três herdeiros.

— Vou, meus amigos — disse ele, dirigindo-se aos três irmãos — fazer a divisão justa e exata dos camelos, que são agora, como vêem, em número de 36.

E voltando-se para o mais velho dos irmãos, assim falou:

— Deves receber, meu amigo, a metade de 35, isto é, 17 e meio. Receberás a metade de 36, ou seja, 18. Nada tens a reclamar, pois é claro que saíste lucrando com esta divisão.

Dirigindo-se ao segundo herdeiro, continuou:

— E tu, Hamed Namir, devias receber um terço de 35, isto é, 11 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é, 12. Não poderás protestar, pois tu também saíste com visível lucro na transação.

E disse, por fim, ao mais moço:

— E tu, jovem Harim Namir, segundo a vontade de teu pai, devias receber uma nona parte de 35, isto é, 3 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é, 4. O teu lucro foi igualmente notável. Só tens a agradecer-me pelo resultado.

Numa voz pausada e clara, concluiu:

— Pela vantajosa divisão feita entre os irmãos Namir — partilha em que todos os três saíram lucrando — couberam 18 camelos ao primeiro, 12 ao segundo e 4 ao terceiro, o que dá um total de 34 camelos. Dos 36 camelos sobraram, portanto, dois. Um pertence, como sabem, ao "bagdali" meu amigo e companheiro; outro, por direito, a mim, por ter resolvido a contento de todos o complicado problema da herança.

— Sois inteligente, ó estrangeiro! — confessou, com admiração e respeito, o mais velho dos três irmãos. — Aceitamos a vossa partilha, na certeza de que foi feita com justiça e equidade.

E o astucioso Beremiz — o "homem que calculava" — tomou logo posse de um dos mais belos camelos do grupo, e disse-me, entregando-me pela rédea o animal que me pertencia:

— Poderás agora, meu amigo, continuar a viagem no teu camelo manso e seguro. Tenho outro, especialmente para mim.

E continuamos a nossa jornada para Bagdá.


Fonte: TAHAN, Malba. O Homem Que Calculava. Editora Record, 2001.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Mais Dostoiévski

Logo no início da quarta parte do romance "O Idiota", Fiódor Dostoiévski nos brinda com mais uma de suas inefáveis descrições acerca dos perfis de comportamento humano. Ele descreve a imensidão de pessoas "comuns" existentes em duas classes distintas: os de "inteligência limitada" e os de "alcance mais vasto". Para tal, tipificou os grupos de acordo com duas personagens, George Dandin e Podkolióssin, respectivamente.

O primeiro é um camponês que graças ao seu dinheiro, casa com Angélique de Sotenville, a filha de um fidalgo arruinado e cioso da sua nobreza. Devido à inabilidade de um mensageiro, Dandin vem a saber que a mulher se corresponde com um galanteador chamado Clitandre, e disso faz queixa aos sogros. Angélique, entretanto, não tem dificuldade em fazer com que as aparências fiquem a seu favor. Clitandre exige explicações, e Dandin vê-se obrigado a pedir-lhe desculpas. "Tu o quiseste, George Dandin", dizia a si mesmo George Dandin, que, eterno enganado, passa pelas piores adversidades, pondo em realce, como quis demonstrar Molière, a loucura que comete um homem ao casar com mulher de condição superior à sua.

O segundo, Podkolióssin, é o herói da melhor peça de Gógol (O Casamento, 1842). De caráter bastante enérgico, ele tem, por vezes, assomos de independência. Como, por exemplo, ao saltar pela janela na hora do casamento.

O primeiro grupo é, definitivamente, o mais feliz. Segundo Dostoiévski: "Nada é mais simples para essa gente comum, de inteligência restrita, do que se imaginar original e mesmo exceção, e folgar com essa ilusão, nunca chegando a perceber o equívoco. Basta a muitas de nossas mocinhas cortarem o cabelo de certo modo e usarem óculos azuis e se cognominarem de niilistas, para ficarem de vez persuadidas de que, com isso só, obtiveram automaticamente 'convicções' próprias. [...] Basta a certos indivíduos assimilar uma idéia expressa por outrem, ou ler qualquer página solta, para imediatamente acreditarem que essa é a sua opinião pessoal espontaneamente brotada de seu cérebro." (Dostoiévski, 1868).

Tão feliz quanto é o primeiro grupo, o segundo o é infeliz. "Pois o homem vulgar 'esperto', mesmo se se considera ocasionalmente, ou sempre, homem de gênio ou de originalidade, conserva o verme da dúvida enquistado em seu coração, o que, em muitos casos, arrasta o nosso homem sagaz ao extremo desespero. Mesmo quando se submete, o faz completamente envenenado, visto seu Intimo ser dirigido por sua vaidade. Mas o exemplo que tomamos foi extremo. Para a grande maioria dessa gente hábil as coisas não terminam assim tão tragicamente. O mais que acontece a tais pessoas é ficarem com o fígado afetado na velhice. Mas antes de desistirem e se humilharem, esses homens não raro fazem papéis de malucos; e tudo só pelo desejo de originalidade. E realmente há estranhos exemplos desta asserção; um homem direito, às vezes, por querer ser original, é capaz de cometer uma baixeza. Acontece comumente que um desses desprotegidos da sorte não só é honesto como bom; é o anjo da guarda da família e mantém, por meio do seu trabalho, não apenas os seus, mas também os estranhos. Mesmo assim não consegue descanso em toda a sua vida! O pensamento de que preencheu tão bem a sua vida, em vez de lhe dar conforto e consolo, muito pelo contrário, o irrita. 'Foi apenas nisto que consumi toda a minha vida?', diz ele. 'Foi nisto que me atolei dos pés àcabeça? Foi pois nisto que malbaratei minhas energias, o que me impediu de fazer algo de grande? Se não tivesse perdido tempo nisso eu teria, na certa, descoberto a pólvora ou a América, ou qualquer outra coisa, não sei precisamente qual, mas que teria descoberto, lá isso teria!' O que é mais característico nesses indivíduos é que nunca chegam a saber direito que coisa lhes foi destinada a descobrir e dentro de que são eles uns ases em descobertas. E todavia seus sofrimentos, suas ânsias pelo que deveriam ter descoberto, seriam bastantes para um Colombo ou um Galileu." (Dostoiévski, 1868).

E aí? Com qual grupo você se identifica? Ou melhor: Qual carapuça lhe serviu?

Fonte: DOSTOIÉVSKI, Fiódor M. O Idiota. Coleção Obra-prima de cada Autor, Série Ouro #34. São Paulo: Martin Claret, 2006.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Dia do Administrador


Parabéns a todos os Administradores que dignificam a profissão, conscientes das responsabilidades legais, e observadores do código de ética, objetivando o aperfeiçoamento da ciência da administração, o desenvolvimento das instituições e a grandeza do homem e da pátria.
Que todos os desafios sejam superados e que cada vitória enalteça a carreira, o know-how e, sobretudo, enobreça a pessoa em si, para que, conhecendo-se cada vez mais e melhor, o Administrador possa dar o melhor de si.