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quinta-feira, outubro 20, 2011

Desafios matemáticos - A vida sem números (Superinteressante)

"Cálculos matemáticos existem desde a Pré-História. Mas podemos dizer que algarismos não. Quando eles chegaram ao Ocidente, jogaram a Europa em uma revolução que transformou o conhecimento"
Matéria muito boa da revista Superinteressante 296 (outubro / 2011), que conta um pouco da história das Matemáticas. Como a matéria completa é um pouco extensa demais e foge aos padrões do blog, resolvi postar apenas os desafios que pontuam a matéria. Ótimos para desenvolver habilidades lógico-matemáticas. Pois bem: Let's Math!

1. Multiplicação e adição


2. Adição e divisão


3. Adição e divisão

4. Multiplicação, subtração, adição e divisão

5. Fibonacci

Respostas aqui

Fonte:
A vida sem números - Superinteressante

segunda-feira, junho 06, 2011

Da necessidade do pensar - Friedrich Nietzsche

"Ainda vivo, ainda penso: ainda é necessário que eu viva, pois ainda necessito pensar. Sum, ergo cogito: cogito, ergo sum (Sou, portanto penso: penso, portanto sou).

Nos dias atuais, todos se permitem exprimir os seus mais elevados desejos e pensamentos: vou portanto, dizer eu também o que mais desejo e qual foi o primeiro pensamento que veio ao meu coração [...]; vou dizer qual é o pensamento que deve tornar-se a razão, a garantia e a doçura de toda a existência que ainda terei!

Desejo aprender cada vez mais a ver o belo na necessidade das coisas: é assim que serei sempre daqueles que tornam as coisas belas."

(NIETZSCHE, 1892).


Achei esse trecho interessante e, por consequência, passível de compartilhamento por ser um pensamento comum a dois grandes expoentes da filosofia: René Descartes e Friedrich Nietzsche. O primeiro eu tenho como base há algum tempo e o segundo tenho aprendido a cada minuto que travo daquelas "conversas" com ele.

Pois bem, ainda creio que, assim como o ato de andar (sobre duas patas) é o exercício físico mais indicado para os seres humanos (justamente por ser uma das características que os distingue dos demais animais), o ato de pensar é o mais indicado para a mente humana pois, como diria Descartes apud Nietzsche, o pensar é uma condição de existência: Cogito, ergo sum.


Fonte:
NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. Coleção obra-prima de cada autor. Martin Claret: São Paulo, 2003. p.142-43.

terça-feira, maio 24, 2011

O Segundo Sexo - Simone de Beauvoir


"O Segundo Sexo é um clássico publicado por Simone de Beauvoir em 1949. São dois livros sobre a situação da mulher. O primeiro volume recebeu o subtítulo de “Fatos e Mitos”, e o segundo volume foi denominado “A experiência vivida”. Como outros clássicos feministas, encontra-se esgotado no Brasil."

Lembro dessa obra dos meus semestres iniciais na Faci, mais especificamente do 2º semestre, das aulas de Introdução às Ciências Socias e Políticas, ministradas pelo ilustre benemérito Cláudio Carvalho (Twitter | Facebook), não cheguei a apreciá-la por completo, apenas um trecho que, ao término, traduzia-se na máxima "Não se nasce mulher, torna-se", em alusão à forma pela qual Simone de Beauvoir percebeu a construção da identidade feminina e da feminilidade a partir de modelos e/ou estereótipos sociais. Ao que tudo indica, tal obra foi o ponto de partida de discussões acerca da condição da mulher em uma sociedade estritamente machista. Pois bem, abaixo estão os links para leitura e/ou download dos dois volumes: O Segundo Sexo vol.1 - Fatos e Mitos e O Segundo Sexo vol.2 - A Experiência vivida.

O Segundo Sexo

O Segundo Sexo Vol 2

quinta-feira, maio 05, 2011

Da doutrina da finalidade da vida - Friedrich Nietzsche

Nietzsche não é um autor do qual eu seja particularmente partidário, digamos assim, gosto muito de seus escritos e, reconheço, é um autor de inefáveis obras e conceitos, principalmente acerca da existências humana e da relação com as suas divindades. Máximas como "Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós!" e "O homem deve ser superado!", exprimem bem o que digo.

Pois bem, relendo A Gaia Ciência, senti-me quase que no dever de compartilhar o trecho a seguir com os poucos leitores do meu inestimável blog.

Nesse breve trecho inicial já se percebe o escopo do fim dos fundamentos da existência de uma divindade, Deus, no caso, como justificativa e fonte de valores para a humanidade, tanto individual quanto coletivamente. Também há a desvaloração de conceitos como bem e mal, certo e errado, e uma breve referência a um tempo em que, talvez, todos alcancem um status de desprendimento que ele chama de "suprema libertação", "suprema irresponsabilidade".

Pois bem, quanto ao trecho, ei-lo...


"Mesmo considerando os homens com bondade ou malevolência, encontro-os sempre, a todos e a cada um em particular, ocupados em uma única tarefa: tornar-se úteis à conservação da espécie. E não por um sentimento de amor a essa espécie, mas simplesmente porque nada neles é mais antigo, mais poderoso, mais inexorável e mais invencível do que esse instinto... porque esse instinto é propriamente a essência da espécie e rebanho que somos. Se chegamos assaz rapidamente, com a miopia ordinária, a separar a cinco passos de distância, os nossos semelhantes em úteis e em prejudiciais, bons e maus, no nosso balanço final refletimos sobre o conjunto e acabamos por desconfiar destas depurações, destas distinções, renunciando a elas. O homem mais prejudicial pode ser ainda, no fim das contas, o mais útil à conservação da espécie, pois sustenta em si mesmo, ou nos outros pela sua influência, instintos sem os quais a humanidade estaria há muito tempo definhada e corrompida. O ódio, o prazer com o mal alheio, a sede de tomar e de dominar e, de uma forma geral, tudo aquilo a que se dá o nome de mau, não passam de um dos elementos da assombrosa economia da conservação da espécie; economia dispendiosa, certamente, pródiga e, no geral, altamente insensata, mas que, de modo comprovado, conservou a nossa raça até agora.

Não sei mais, meu caro próximo, e congênere, se ainda podes viver em detrimento da nossa espécie, viver de forma "irracional" e "má"; aquilo que poderia prejudicar a espécie, talvez tenha morrido há milhares de anos; é talvez agora uma dessas coisas perante as quais nem o próprio Deus pode conceber. Siga as tuas melhores ou piores inclinações e, antes de mais nada, encaminha-te para a tua perdição; em ambos os casos favorecerás, provavelmente, de uma maneira ou de outra, o progresso da humanidade, serás sempre em qualquer ponto o seu benfeitor e terás direito aos seus apologistas... como também aos seus detratores! Mas nunca encontrarás quem possa troçar de ti, indivíduo, inteiramente, mesmo naquilo que tens de melhor, aquele que será capaz de te representar com força suficiente para aproximar da verdade, a tua incomensurável pobreza de rã e de mosca!

Para rirmos de nós mesmos, como seria necessário, como o faria a verdade total, os melhores não tiveram até agora suficiente senso pelo verdadeiro, os mais dotados, gênio bastante. Talvez haja ainda um futuro para o riso! Que acontecerá quando a máxima: "a espécie é tudo, o indivíduo é nada" tiver se incorporado à humanidade e quando todos tiverem livre acesso a esta suprema libertação, a esta suprema irresponsabilidade? Talvez então o riso se tenha aliado à sabedoria, talvez haja aí então uma "gaia ciência".

Fontes:
NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. Coleção Obra-prima de Cada Autor. São Paulo: Martin Claret, 2003.
Imagem (carticatura) encontrada em diversos sites, mas de autoria desconhecida, não obstante ao fato de estar assinada.
Detalhe do título da capa original da segunda edição de A Gaia Ciência (Die fröhliche Wissenschaft), de 1887 (Wikipédia)

terça-feira, abril 19, 2011

Da função social da Literatura - Simone de Beauvoir

Confuso e perdido em meio à várias abas do Mozilla Firefox abertas com livros e mais livros do Google Books, alguns artigos científicos e uma ou outra rede social, chamou-me atenção uma capa vermelha na guia “livros relacionados” enquanto lia “A Arte de Pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais” de Mirian Goldenberg. Ora pois, já que meu foco havia se perdido, larguei as demais atividades e abri o livro em outra aba.

Intitulado “Infiel: Notas de uma antropóloga”, também de autoria de Mirian Goldenberg, procurei por algum prefácio/preâmbulo/introdução que me mostrasse o teor do livro. Encontrei um trecho incrível de Simone de Beauvoir que, a meu ver descreve, com uma acurácia inimaginável, a funação social da literatura. Conhecedor de pouquíssimo conteúdo de Simone de Beauvoir, em verdade, meu arcabouço literário e biográfico sobre ela restringi-se ao texto “O Segundo Sexo”, que contém a sagaz máxima “Não se nasce mulher: torna-se”, e à sua relação matrimonial com o existencialista Jean-Paul Sartre que, segundo contam as más línguas, era extremamente liberal.


Pois bem, como já disse, achei o trecho incrível e me identifiquei bastante com ele e com a atual relação que tenho com o ato de escrever. Abaixo, transcrevo-o, tal qual me foi apresentado:

“Nos períodos difíceis de minha vida, rabiscar frases - ainda que nunca venham a ser lidas por ninguém - me traz o mesmo reconforto que a reza para quem tem fé: através da linguagem ultrapasso meu caso particular, comungo com toda a humanidade.

Toda dor dilacera; mas o que mas o que a torna intolerável é que quem a sente tem a impressão de estar separado do resto do mundo; partilhada, ela ao menos deixa de ser um exílio. Não é por deleite, por exibicionismo, por provocação que muitas vezes os escritores relatam experiências terríveis ou desoladoras: por intermédio das palavras, eles as universalizam e permitem que os leitores conheçam, em seus sofrimentos individuais, os consolos da fraternidade. Em minha opinião, essa é uma das funções essenciais da literatura, e o que a torna insubstituível: superar a solidão que é comum a todos nós e que, no entanto, faz com que nos tornemos estranhos uns aos outros.”


Simone de Beauvoir está, definitivamente, na minha lista de leituras futuras!

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Nietzsche, Zaratustra, o Übermensch e a mote de Deus

Assim Falou Zaratustra, - Um livro para todos e para ninguém (igual ao blog), figura entre as principais obras do alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche. Dividida em quatro parte, foi curiosamente escrita num espaço de quatro anos, sendo que cada volume levou apenas dez dias para ser escrito, teve diversos entraves para ser publicada, sendo que a quarta e última parte foi toda custeada por Nietzsche.

É uma obra escrita de forma bíblica e poética como uma forma clara de satirizar a Bíblia/Novo Testamento, os valores cristãos, a moral da época, o Estado, a Academia, ou seja, praticamente tudo que o cercava. O livro narra, à imagem e semelhança dos evangelhos cristãos, a vida e a obra de Zaratustra, um sábio persa que vaga pelo mundo "evangelizando", semeando os conhecimentos adquiridos durante um longo tempo de meditação.

O Livro é recheado de máximas, aforismos e parábolas, dentre as quais consta a conhecidíssima e amplamente difundida por ateus e agnósticos: "Gott ist tot / Deus está morto".

Logo no preâmbulo do livro, quando Zaratustra sai pela primeira vez de sua caverna, depois de dez anos de meditação, ele encontra um ancião que com cânticos, lágrimas, risos e murmúrios louva a Deus. Ao despedir-se, Zaratustra murmura de si para si:
“Será possível que este santo ancião ainda não ouviu no seu bosque que Deus já morreu?”
Dando a entender claramente que Deus morreu antes do ponto que se encontram, uma clara referência à Gaia Ciência:
“Para onde foi Deus? [...] já lhes direi! Nós o matamos – vocês e eu. Somos todos seus assassinos! [...] Deus está morto! Deus continua morto! E nós o matamos!"

Outro conceito importante apresentado no livro, é o Übermensch, ou Super-homem (tradução que eu, particularmente, não gosto), ele seria o estágio final da evolução humana. Nietzsche, usando a figura de Zaratustra, nos diz que o ser humano é apenas um meio termo entre os macacos e o Übermensch, e que tal estágio só poderia ser alcançado através da transvaloração de todos os valores individuais, da constante superação de si mesmo, da sede de poder/vontade de potência, da destruição de conceitos velhos e a criação de novos. Segundo ele:
"O homem é corda distendida entre o animal e o super-homem: uma corda sobre um abismo; travessia perigosa, temerário caminhar, perigosos olhar para trás, perigoso tremer e parar."
Em verdade, é um livro realmente incrível, caso tivesse que aqui escrever cada passagem interessante, teria de escrever o livro praticamente na íntegra. Altamente recomendado.

Download em PDF
Mais tirinhas sobre Nietzsche

Fontes:
NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falou Zaratustra. Coleção Obra-prima de Cada Autor. São Paulo: Martin Claret, 1999.
_____. Gaia Ciência. Coleção Obra-prima de Cada Autor. São Paulo: Martin Claret, 2003.
Tirinha de autoria de Carlos Ruas do blog Um Sábado Qualquer

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Otousan 父


Ele não me guiou durante todo o caminho,
Em dado momento, agachou-se e, com os olhos na altura dos meus,
Largou minha mão e me apontou a direção.

***

Mais um haikai... Sabe, to gostando desse tipo de construção literária, simples e direto, por vezes vago, mas sempre se pode expressar muita coisa em apenas 3 linhas.

Pensei neste hoje, no ônibus, vindo pro trabalho e lembrando do meu pai. Por coincidência, ou não, acabei percebendo bem claramente algo que li na véspera em Shcopenhaeur, ele disse que o pensamento, quando ainda se encontra na cabeça de que o pensa, é como um organismo vivo, crescendo, se modificando, ganhando forma, se adaptando, absorvendo impressões e características de seu criador mas que inevitavelmente morre ao encontrar as palavras, entretanto, paradoxalmente, nesse momento, ele se torna indestrutível, "da mesma maneira que os animais e plantas petrificados da pré-história" (A arte de escrever, Sobre a escrita e o estilo, §4).

terça-feira, dezembro 14, 2010

Deus e Dostoiévski

"[...] em toda a face da terra não existe absolutamente nada que obrigue os homens a amarem seus semelhantes, que essa lei da natureza, que reza que o homem ame a humanidade, não existe em absoluto e que, se até hoje existiu o amor na Terra, este não se deveu a lei natural mas tão-só ao fato de que os homens acreditavam na própria imortalidade. Ivan Fiodorovitch acrescentou, entre parenteses, que é nisso que consiste toda a lei natural, de sorte que, destruido-se nos homens a fé em sua imortalidade, neles se exaure de imediato não só o amor como também toda e qualquer força para que continue a vida no mundo. E mais: então não haverá mais nada amoral, tudo será permitido, até a antropofagia. Mas isso ainda é pouco, ele concluiu afirmando que, para cada indivíduo particular, por exemplo, como nós aqui, que não acredita em Deus nem na própria imortalidade, a lei moral da natureza deve ser imediatamente convertida no oposto total da lei religiosa anterior, e que o egoísmo, chegando até ao crime, não só deve ser permitido ao homem mas até mesmo reconhecido como a saída indispensável, a mais racional e quase a mais nobre para a situacão"

ou seja,
Não existindo Deus, tudo seria permitido?

(Parêntesis)
Um dia eu pensei que se, por algum elemento misterioso, toda humanidade fosse extinta e, séculos, milênios a frente, surgisse uma nova humanidade. Será que se eles encontrassem os meus gibis da Liga da Justiça achariam que eles eram deuses ancestrais?
(Fim do parêntesis)

Continuando:
"Quando a humanidade, sem exceção, tiver renegado Deus (e creio que essa era virá), então cairá por si só, sem antropofagia, toda a velha concepção de mundo e, principalmente, toda a velha moral, e começara o inteiramente novo. Os homens se juntarão para tomar da vida tudo o que ela pode dar, mas visando unicamente à felicidade e à alegria neste mundo. O homem alcançará sua grandeza imbuindo-se do espírito de uma divina e titânica altivez, e surgirá o homem-deus. Vencendo, a cada hora, com sua vontade e ciência, uma natureza já sem limites, o homem sentirá assim e a cada hora um gozo tão elevado que este lhe substituirá todas as antigas esperanças no gozo celestial. Cada um saberá que é plenamente mortal, não tem ressurreição, e aceitará a morte com altivez e tranquilidade, como um deus. Por altivez compreenderá que não há razão para reclamar de que a vida é um instante, e amará seu irmão já sem esperar qualquer recompensa. O amor satisfará apenas um instante da vida, mas a simples consciência de sua fugacidade reforçará a chama desse amor tanto quanto ela antes se dissipava na esperança de um amor além-túmulo e infinito."

Desculpem-me os deístas, mas eu não consigo "ver" Deus como vocês...

Trechos extraídos de "Irmãos Karamazovi" (1879).
Imagem: Retrato de Fiódor quando jovem, por Trutovsky (1847).

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Sêneca e a Brevidade da Vida


"A vida, se souberes viver, é longa. Mas a insaciável ganância domina um; outro, desperdiça sua energia em trabalhos supérfluos; um encharca-se de vinho, outro fica entorpecido pela inércia; um está sempre preocupado com a opinião alheia, outro, por um irreprimido desejo de comerciar, é levado a explorar terras e mares na esperança de obter lucro. O desejo de guerrear tortura alguns, que não se mostram apreensivos em relação aos perigos alheios ou ansiosos em relação aos seus próprios; há aqueles que, voluntariamente, se sujeitam à ingrata adulação dos superiores.

Também há os que se ocupam invejando o destino alheio e desprezando o seu próprio. A grande maioria, sem nenhum objetivo, lança-se a novos propósitos levianamente, encontrando apenas desgosto. Alguns, sem terem dado rumo a suas vidas, são flagrados pelo destino esgotados e sonolentos, de tal maneira que não duvido ser verdade o que disse, como se fosse um oráculo, o maior dos poetas: "Pequena é a parte da vida que vivemos". Pois todo o resto não é vida, mas somente tempo.

Os vícios sufocam os homens e andam à sua volta, não lhe permitindo levantar nem erguer os olhos para distinguir a verdade. Permanecem imersos, presos às paixões, não favorecendo um voltar-se a si próprio [...]"

O trecho advoga por si só. Identifiquei-me com alguns pontos, e você?


Fonte: SÊNECA. Sobre a brevidade da vida. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.
Imagem: Gareth Southwell

sexta-feira, setembro 10, 2010

Mais Dostoiévski

Logo no início da quarta parte do romance "O Idiota", Fiódor Dostoiévski nos brinda com mais uma de suas inefáveis descrições acerca dos perfis de comportamento humano. Ele descreve a imensidão de pessoas "comuns" existentes em duas classes distintas: os de "inteligência limitada" e os de "alcance mais vasto". Para tal, tipificou os grupos de acordo com duas personagens, George Dandin e Podkolióssin, respectivamente.

O primeiro é um camponês que graças ao seu dinheiro, casa com Angélique de Sotenville, a filha de um fidalgo arruinado e cioso da sua nobreza. Devido à inabilidade de um mensageiro, Dandin vem a saber que a mulher se corresponde com um galanteador chamado Clitandre, e disso faz queixa aos sogros. Angélique, entretanto, não tem dificuldade em fazer com que as aparências fiquem a seu favor. Clitandre exige explicações, e Dandin vê-se obrigado a pedir-lhe desculpas. "Tu o quiseste, George Dandin", dizia a si mesmo George Dandin, que, eterno enganado, passa pelas piores adversidades, pondo em realce, como quis demonstrar Molière, a loucura que comete um homem ao casar com mulher de condição superior à sua.

O segundo, Podkolióssin, é o herói da melhor peça de Gógol (O Casamento, 1842). De caráter bastante enérgico, ele tem, por vezes, assomos de independência. Como, por exemplo, ao saltar pela janela na hora do casamento.

O primeiro grupo é, definitivamente, o mais feliz. Segundo Dostoiévski: "Nada é mais simples para essa gente comum, de inteligência restrita, do que se imaginar original e mesmo exceção, e folgar com essa ilusão, nunca chegando a perceber o equívoco. Basta a muitas de nossas mocinhas cortarem o cabelo de certo modo e usarem óculos azuis e se cognominarem de niilistas, para ficarem de vez persuadidas de que, com isso só, obtiveram automaticamente 'convicções' próprias. [...] Basta a certos indivíduos assimilar uma idéia expressa por outrem, ou ler qualquer página solta, para imediatamente acreditarem que essa é a sua opinião pessoal espontaneamente brotada de seu cérebro." (Dostoiévski, 1868).

Tão feliz quanto é o primeiro grupo, o segundo o é infeliz. "Pois o homem vulgar 'esperto', mesmo se se considera ocasionalmente, ou sempre, homem de gênio ou de originalidade, conserva o verme da dúvida enquistado em seu coração, o que, em muitos casos, arrasta o nosso homem sagaz ao extremo desespero. Mesmo quando se submete, o faz completamente envenenado, visto seu Intimo ser dirigido por sua vaidade. Mas o exemplo que tomamos foi extremo. Para a grande maioria dessa gente hábil as coisas não terminam assim tão tragicamente. O mais que acontece a tais pessoas é ficarem com o fígado afetado na velhice. Mas antes de desistirem e se humilharem, esses homens não raro fazem papéis de malucos; e tudo só pelo desejo de originalidade. E realmente há estranhos exemplos desta asserção; um homem direito, às vezes, por querer ser original, é capaz de cometer uma baixeza. Acontece comumente que um desses desprotegidos da sorte não só é honesto como bom; é o anjo da guarda da família e mantém, por meio do seu trabalho, não apenas os seus, mas também os estranhos. Mesmo assim não consegue descanso em toda a sua vida! O pensamento de que preencheu tão bem a sua vida, em vez de lhe dar conforto e consolo, muito pelo contrário, o irrita. 'Foi apenas nisto que consumi toda a minha vida?', diz ele. 'Foi nisto que me atolei dos pés àcabeça? Foi pois nisto que malbaratei minhas energias, o que me impediu de fazer algo de grande? Se não tivesse perdido tempo nisso eu teria, na certa, descoberto a pólvora ou a América, ou qualquer outra coisa, não sei precisamente qual, mas que teria descoberto, lá isso teria!' O que é mais característico nesses indivíduos é que nunca chegam a saber direito que coisa lhes foi destinada a descobrir e dentro de que são eles uns ases em descobertas. E todavia seus sofrimentos, suas ânsias pelo que deveriam ter descoberto, seriam bastantes para um Colombo ou um Galileu." (Dostoiévski, 1868).

E aí? Com qual grupo você se identifica? Ou melhor: Qual carapuça lhe serviu?

Fonte: DOSTOIÉVSKI, Fiódor M. O Idiota. Coleção Obra-prima de cada Autor, Série Ouro #34. São Paulo: Martin Claret, 2006.

terça-feira, agosto 24, 2010

O Mundo de Sofia

Há 19 anos era publicado, na Noruega, a primeira edição do romance Sofies Verden, ou O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder.

O romance nos conta a história de uma garota, Sofia Amundsen, que, às véspera do seu aniversário de 15 anos, recebe uma misteriosa carta contendo alguns questionamentos do tipo "Quem é você?", "De onde vem o mundo?", e por vai. Era o começo de um curso de filosofia por correspondência, que vai desde os Pré-socráticos, passando pelos medievais São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, os renascimentas, por Descartes, Hobbes, Locke, Hume, Kant, Berkeley, chegando até os mais contemporâneos como Marx, Darwin e Freud. Além do curso, Sofia e seu professor Alberto Knox, se veem em meio a um grande mistério, que envolve um certo Major Albert Knag e sua filha Hilde Møller Knag.

Para quem gosta de filosofia é uma boa dica, a narrativa (apesar de extensa) é de fácil compreensão, até mesmo aos que não estão habituados à filosofia, o que é ideal atrair novos filósofos.

E tem mais! Li esse livro há uns 4 anos e, só agora, descobri que em '99 o livro foi adaptado para um filme homônino, e em 2008 chegou ao Brasil a versão em DVD.


Downloa do livro:
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Download do filme (RMVB Legendado):
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quinta-feira, agosto 05, 2010

HQ Nacional: Assim Falava Zaratustra - dos céus aos quadrinhos

A publicação conta com a assinatura de Thais dos Anjos, designer e ilustradora paulistana. Formada em Desenho Industrial, trabalhou nas áreas de moda, cenografia e artes plásticas, além de ser designer da revista Playboy desde 2006.

Segundo consta, a HQ será publicada pela Editora Devir e terá o formato 21 x 28 cm com 112 páginas, e custará R$ 49,90. Percebe-se, obviamente, que é uma adaptação da clássica obra do filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche, o lançamento é aguardado para o próximo dia 19, às 19:00, na Livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509, São Paulo - SP).

Sobre Zaratustra: O livro, escrito entre 1883 e 1885, nos mostra as andanças e ensinamentos de um filósofo que se autonomeou Zaratustra após a fundação do Zoroastrismo na antiga Pérsia. Para explorar muitas das idéias de Nietzsche, o livro usa uma forma poética e fictícia, frequentemente satirizando o Novo testamento. O foco de Zaratustra é a noção de que os seres humanos são uma forma transicional entre macacos e o que Nietzsche chamou de Übermensch, literalmente "além-do-homem", normalmente traduzido como "super-homem". O nome é um dos muitos trocadilhos no livro e se refere mais claramente à imagem do Sol vindo além do horizonte ao amanhecer como a simples noção de vitória.

Confessar-vos-ei que ainda não o li na íntegra, apenas algumas resenhas, comentários, interpretações e afins, além de algumas alcóolicas discussões com alguns entusiastas (ou não) do alemão (Gabriel Rocha, Prof. Laércio e Linoboy) mas pelo que eu vi (ou li), percebi que esse conceito é deveras semelhante ao que é apresentado pelo personagem Rodion Românovitch Raskólnikov, de Crime e Castigo, do russo Fiódor Dostoiévski... semelhante até demais eu diria. Mas, isso não vem tanto ao caso, a obra, como todos sabemos, é um clássico obrigatório da filosofia, espero que a adaptação em quadrinho esteja à altura.