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segunda-feira, junho 06, 2011

Da necessidade do pensar - Friedrich Nietzsche

"Ainda vivo, ainda penso: ainda é necessário que eu viva, pois ainda necessito pensar. Sum, ergo cogito: cogito, ergo sum (Sou, portanto penso: penso, portanto sou).

Nos dias atuais, todos se permitem exprimir os seus mais elevados desejos e pensamentos: vou portanto, dizer eu também o que mais desejo e qual foi o primeiro pensamento que veio ao meu coração [...]; vou dizer qual é o pensamento que deve tornar-se a razão, a garantia e a doçura de toda a existência que ainda terei!

Desejo aprender cada vez mais a ver o belo na necessidade das coisas: é assim que serei sempre daqueles que tornam as coisas belas."

(NIETZSCHE, 1892).


Achei esse trecho interessante e, por consequência, passível de compartilhamento por ser um pensamento comum a dois grandes expoentes da filosofia: René Descartes e Friedrich Nietzsche. O primeiro eu tenho como base há algum tempo e o segundo tenho aprendido a cada minuto que travo daquelas "conversas" com ele.

Pois bem, ainda creio que, assim como o ato de andar (sobre duas patas) é o exercício físico mais indicado para os seres humanos (justamente por ser uma das características que os distingue dos demais animais), o ato de pensar é o mais indicado para a mente humana pois, como diria Descartes apud Nietzsche, o pensar é uma condição de existência: Cogito, ergo sum.


Fonte:
NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. Coleção obra-prima de cada autor. Martin Claret: São Paulo, 2003. p.142-43.

quinta-feira, maio 05, 2011

Da doutrina da finalidade da vida - Friedrich Nietzsche

Nietzsche não é um autor do qual eu seja particularmente partidário, digamos assim, gosto muito de seus escritos e, reconheço, é um autor de inefáveis obras e conceitos, principalmente acerca da existências humana e da relação com as suas divindades. Máximas como "Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós!" e "O homem deve ser superado!", exprimem bem o que digo.

Pois bem, relendo A Gaia Ciência, senti-me quase que no dever de compartilhar o trecho a seguir com os poucos leitores do meu inestimável blog.

Nesse breve trecho inicial já se percebe o escopo do fim dos fundamentos da existência de uma divindade, Deus, no caso, como justificativa e fonte de valores para a humanidade, tanto individual quanto coletivamente. Também há a desvaloração de conceitos como bem e mal, certo e errado, e uma breve referência a um tempo em que, talvez, todos alcancem um status de desprendimento que ele chama de "suprema libertação", "suprema irresponsabilidade".

Pois bem, quanto ao trecho, ei-lo...


"Mesmo considerando os homens com bondade ou malevolência, encontro-os sempre, a todos e a cada um em particular, ocupados em uma única tarefa: tornar-se úteis à conservação da espécie. E não por um sentimento de amor a essa espécie, mas simplesmente porque nada neles é mais antigo, mais poderoso, mais inexorável e mais invencível do que esse instinto... porque esse instinto é propriamente a essência da espécie e rebanho que somos. Se chegamos assaz rapidamente, com a miopia ordinária, a separar a cinco passos de distância, os nossos semelhantes em úteis e em prejudiciais, bons e maus, no nosso balanço final refletimos sobre o conjunto e acabamos por desconfiar destas depurações, destas distinções, renunciando a elas. O homem mais prejudicial pode ser ainda, no fim das contas, o mais útil à conservação da espécie, pois sustenta em si mesmo, ou nos outros pela sua influência, instintos sem os quais a humanidade estaria há muito tempo definhada e corrompida. O ódio, o prazer com o mal alheio, a sede de tomar e de dominar e, de uma forma geral, tudo aquilo a que se dá o nome de mau, não passam de um dos elementos da assombrosa economia da conservação da espécie; economia dispendiosa, certamente, pródiga e, no geral, altamente insensata, mas que, de modo comprovado, conservou a nossa raça até agora.

Não sei mais, meu caro próximo, e congênere, se ainda podes viver em detrimento da nossa espécie, viver de forma "irracional" e "má"; aquilo que poderia prejudicar a espécie, talvez tenha morrido há milhares de anos; é talvez agora uma dessas coisas perante as quais nem o próprio Deus pode conceber. Siga as tuas melhores ou piores inclinações e, antes de mais nada, encaminha-te para a tua perdição; em ambos os casos favorecerás, provavelmente, de uma maneira ou de outra, o progresso da humanidade, serás sempre em qualquer ponto o seu benfeitor e terás direito aos seus apologistas... como também aos seus detratores! Mas nunca encontrarás quem possa troçar de ti, indivíduo, inteiramente, mesmo naquilo que tens de melhor, aquele que será capaz de te representar com força suficiente para aproximar da verdade, a tua incomensurável pobreza de rã e de mosca!

Para rirmos de nós mesmos, como seria necessário, como o faria a verdade total, os melhores não tiveram até agora suficiente senso pelo verdadeiro, os mais dotados, gênio bastante. Talvez haja ainda um futuro para o riso! Que acontecerá quando a máxima: "a espécie é tudo, o indivíduo é nada" tiver se incorporado à humanidade e quando todos tiverem livre acesso a esta suprema libertação, a esta suprema irresponsabilidade? Talvez então o riso se tenha aliado à sabedoria, talvez haja aí então uma "gaia ciência".

Fontes:
NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. Coleção Obra-prima de Cada Autor. São Paulo: Martin Claret, 2003.
Imagem (carticatura) encontrada em diversos sites, mas de autoria desconhecida, não obstante ao fato de estar assinada.
Detalhe do título da capa original da segunda edição de A Gaia Ciência (Die fröhliche Wissenschaft), de 1887 (Wikipédia)

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Nietzsche, Zaratustra, o Übermensch e a mote de Deus

Assim Falou Zaratustra, - Um livro para todos e para ninguém (igual ao blog), figura entre as principais obras do alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche. Dividida em quatro parte, foi curiosamente escrita num espaço de quatro anos, sendo que cada volume levou apenas dez dias para ser escrito, teve diversos entraves para ser publicada, sendo que a quarta e última parte foi toda custeada por Nietzsche.

É uma obra escrita de forma bíblica e poética como uma forma clara de satirizar a Bíblia/Novo Testamento, os valores cristãos, a moral da época, o Estado, a Academia, ou seja, praticamente tudo que o cercava. O livro narra, à imagem e semelhança dos evangelhos cristãos, a vida e a obra de Zaratustra, um sábio persa que vaga pelo mundo "evangelizando", semeando os conhecimentos adquiridos durante um longo tempo de meditação.

O Livro é recheado de máximas, aforismos e parábolas, dentre as quais consta a conhecidíssima e amplamente difundida por ateus e agnósticos: "Gott ist tot / Deus está morto".

Logo no preâmbulo do livro, quando Zaratustra sai pela primeira vez de sua caverna, depois de dez anos de meditação, ele encontra um ancião que com cânticos, lágrimas, risos e murmúrios louva a Deus. Ao despedir-se, Zaratustra murmura de si para si:
“Será possível que este santo ancião ainda não ouviu no seu bosque que Deus já morreu?”
Dando a entender claramente que Deus morreu antes do ponto que se encontram, uma clara referência à Gaia Ciência:
“Para onde foi Deus? [...] já lhes direi! Nós o matamos – vocês e eu. Somos todos seus assassinos! [...] Deus está morto! Deus continua morto! E nós o matamos!"

Outro conceito importante apresentado no livro, é o Übermensch, ou Super-homem (tradução que eu, particularmente, não gosto), ele seria o estágio final da evolução humana. Nietzsche, usando a figura de Zaratustra, nos diz que o ser humano é apenas um meio termo entre os macacos e o Übermensch, e que tal estágio só poderia ser alcançado através da transvaloração de todos os valores individuais, da constante superação de si mesmo, da sede de poder/vontade de potência, da destruição de conceitos velhos e a criação de novos. Segundo ele:
"O homem é corda distendida entre o animal e o super-homem: uma corda sobre um abismo; travessia perigosa, temerário caminhar, perigosos olhar para trás, perigoso tremer e parar."
Em verdade, é um livro realmente incrível, caso tivesse que aqui escrever cada passagem interessante, teria de escrever o livro praticamente na íntegra. Altamente recomendado.

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Mais tirinhas sobre Nietzsche

Fontes:
NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falou Zaratustra. Coleção Obra-prima de Cada Autor. São Paulo: Martin Claret, 1999.
_____. Gaia Ciência. Coleção Obra-prima de Cada Autor. São Paulo: Martin Claret, 2003.
Tirinha de autoria de Carlos Ruas do blog Um Sábado Qualquer

quinta-feira, agosto 05, 2010

HQ Nacional: Assim Falava Zaratustra - dos céus aos quadrinhos

A publicação conta com a assinatura de Thais dos Anjos, designer e ilustradora paulistana. Formada em Desenho Industrial, trabalhou nas áreas de moda, cenografia e artes plásticas, além de ser designer da revista Playboy desde 2006.

Segundo consta, a HQ será publicada pela Editora Devir e terá o formato 21 x 28 cm com 112 páginas, e custará R$ 49,90. Percebe-se, obviamente, que é uma adaptação da clássica obra do filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche, o lançamento é aguardado para o próximo dia 19, às 19:00, na Livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509, São Paulo - SP).

Sobre Zaratustra: O livro, escrito entre 1883 e 1885, nos mostra as andanças e ensinamentos de um filósofo que se autonomeou Zaratustra após a fundação do Zoroastrismo na antiga Pérsia. Para explorar muitas das idéias de Nietzsche, o livro usa uma forma poética e fictícia, frequentemente satirizando o Novo testamento. O foco de Zaratustra é a noção de que os seres humanos são uma forma transicional entre macacos e o que Nietzsche chamou de Übermensch, literalmente "além-do-homem", normalmente traduzido como "super-homem". O nome é um dos muitos trocadilhos no livro e se refere mais claramente à imagem do Sol vindo além do horizonte ao amanhecer como a simples noção de vitória.

Confessar-vos-ei que ainda não o li na íntegra, apenas algumas resenhas, comentários, interpretações e afins, além de algumas alcóolicas discussões com alguns entusiastas (ou não) do alemão (Gabriel Rocha, Prof. Laércio e Linoboy) mas pelo que eu vi (ou li), percebi que esse conceito é deveras semelhante ao que é apresentado pelo personagem Rodion Românovitch Raskólnikov, de Crime e Castigo, do russo Fiódor Dostoiévski... semelhante até demais eu diria. Mas, isso não vem tanto ao caso, a obra, como todos sabemos, é um clássico obrigatório da filosofia, espero que a adaptação em quadrinho esteja à altura.